Banho-me…

Banho-me, e na água que me invade a pele e escorre pelo corpo como o desejo que vai aflorando e deambulando entre jeitos e toques, procuro incessantemente desaguar, e amarar num porto seguro com sabor a lar.
Cada gota que me percorre arrepia, desperta, e desfolha mais uma página do livro dos sentires onde tudo se torna intenso e vivido e a vida faz sentido.
É tudo uma questão de ser, não de existir, porque ao ser sinto, e tal como a água que me banha sou rio calmo ou mar revolto.
E grito…
Em silêncio, sem que ninguém perceba, para tentar afastar os pensamentos que tanto me fazem sentir, nesta dúvida constante de quereres ou não quereres, de me seres ou não seres…
Fecho os olhos e deixo a água escorrer, na esperança que leve para longe tudo o que me está entranhado em cada poro e aguarda por ser liberto, mas não…
Não leva…
Por mais que queira, e que te saiba inalcançável, não te consigo apagar assim de mim e, de olhos fechados e sentidos despertos, sonho, sou e sinto…

Miss Kitty

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