Aninhada…

Aninho-me no teu peito onde a pele, a cada centímetro, de rio é leito, que transborda no meu sentir, quando tranquilo ainda estás a dormir. E no crepúsculo da madrugada, fico em silêncio acordada, o peito sinto respirar, sobe, desce, como se me estivesse a embalar, mas não quero voltar a adormecer, prefiro palavras nele tecer, sei que não serão ouvidas, mas as letras serão tão sentidas, mesmo estando a dormir, sei que te consigo invadir.
Esboças um leve sorriso, decerto que estarás a sonhar, ouves-me mesmo que não faça sentido, nem respiro para não te acordar.
Gosto quando te tenho assim, sereno, só para mim, inspiro o teu aroma de mil cores, quando te velo sinto os sabores, memórias de noites passadas, que em nós ficam guardadas e nunca foram noites veladas.
Suavemente desperta o dia, e como que por magia, oiço milhares de chilreares, de passarinhos e seus cantares, que no quintal se vêem assomar, de cantar doce para nos cumprimentar. Lentamente abres os olhos, de um castanho profundo e já sem dor, sentes-te completo, com o coração de amor repleto, beijo-te ao de leve, um beijo sentido e breve, e digo “Bom dia amor!”

Miss Kitty

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Nós…

Enleio-me nos escolhos,
de um mar de sargaços,
numa vida inundada,
de dores e cansaços.
Tento encontrar a ponta,
o fim da meada,
cada vez que me mexo,
fico mais enleada.
Vida com nós,
que teimo desatar,
enquanto o destino,
me continua a testar.
Tenho que encontrar,
o meu porto de abrigo,
algo a que me agarrar,
só assim o consigo.
Assim que o fizer,
desenleio-me lentamente,
deixo de só existir,
dou-me a vida de presente.

Miss Kitty