Insónias… de novo

As insónias são tramadas…

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Parcas horas depois de me ter deitado, lá pelo meio da noite, acordei, a chuva parara, o universo conspirava para além do espaço confinado e silencioso do quarto, sem o barulho intermitente das gotas a bater nas vidraças, e devia conspirar contra mim…

Olhei na direcção da janela sem nenhuma vivacidade, como uma estátua de olhos rasos e vazios que por mais que pareça olhar nada vê em seu redor, e nada sente.

Durante alguns minutos vi fugir-me todo o ânimo como se assistisse ao correr da areia por entre os dedos, como se me fugisse o tempo, e queria dormir um pouco mais, desligar-me do mundo…

Isto é o que habitualmente diz quem tem insónias e que não prega olho em toda a noite, mas que julga ser capaz de ludibriar o sono só porque quer dormir um pouco mais.

As insónias  são tramadas, ainda de olhos fechados a minha mente é assaltada pelas palavras que se juntam em catadupa e que surgem do nada, como se seguissem um rumo próprio, jorram sem motivo e escrevo mentalmente tudo o que me consome a alma.

Medo, desejos, memórias passadas e sonhos de um futuro risonho e promissor, mas tudo isto não passa de ficção, pois o destino teima sempre em trocar as voltas à vida e às vezes lá consegue…

Já dava um livro…

As horas passam, todas as que foram imprescindíveis para que o sol nascesse lá fora, não aqui num quarto branco, frio e sombrio como este, que mesmo quando lá fora as nuvens permitem passar o sol, só entra aqui dentro um tipo de luar diurno, mas que lá fora começa a fazer com que as pessoas despertem lentamente e a custo para as suas vidas vazias numa manhã fria, aguardando pela morte que chegará um dia.

Perdida em devaneios penso como seria não acordar, estou cansada de insónias e de pensamentos perdidos escritos no ar e que, quer queira quer não, estão sempre presentes e guardados a sete chaves no móvel mais recôndito da minha mente e só se libertam nestes momentos, de certeza que se acabariam…

Credo! Que pensamentos tão mórbidos… É incrível o que a privação do sono faz, transforma-nos, mas eu não deixo, afasto-os abrindo os olhos e vendo. Grata, mesmo sem ter dormido, deixo que o quarto saia da penumbra e se ilumine dando vida à vida que sinto fugir nestes instantes e sorrio despertando para a vida, porque ela não espera para ser vivida…

Miss Kitty

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