Sã na minha loucura…

Sou sã na minha loucura, esta que me acompanha e perdura, que teimam em criticar, sem saberem o que passo julgar, e eu com toda a bravura, opto por tudo ignorar, pois se não julgo ninguém, não têm o direito de me julgar.

Gosto de ser como sou, dar-me como me dou, mostrar o melhor de mim, a quem me respeite enfim, sem dúvidas nem hesitar, com toda esta vontade de amar, de santa e pecadora, fera ferida e predadora, tão intensa e sedutora, na forma de me entregar.

E nesta loucura saudável, onde me permito viver, pode ser infindável, aos olhos dos outros condenável, vivo cada momento, agarro-me ao sentimento, um dia de cada vez, intensamente e com avidez, e entrego-me ao prazer da loucura, com paixão e com ternura mas sem nenhuma insensatez.

É assim como sou, a quem quero, e como quero, me dou, nesta minha sã loucura, faço da vida uma aventura.

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Mesmo que…

Mesmo que as almas estejam separadas… São uma!
Mesmo que não me vejas… Sentes-me!
Mesmo que não me toques… Tens o meu perfume entranhado!
Mesmo que não me beijes… Tens o meu gosto!
Mesmo que a carne arda de desejo, pela ausência forçada… Os teus dedos são os meus!
Mesmo que a sede te corroa… Cada gota minha te sacia!
Mesmo que à distância o teu corpo grite e reclame pelo meu… Endeusas o meu como um culto, e sinto-o!
Mesmo que estejamos separados… Fazes de mim o teu lar!
Mesmo que seja impossível… Abrigo-te!
Mesmo que estejas longe… Estou sempre em ti!

Miss Kitty

Era…

Era negra a solidão da madrugada escura,
Era a sede e a fome, e tu foste a fruta.
Era desejo de morrer e tu cicuta,
Era o desafio e a desolação, e tu foste a cura.

Era perdida e tu foste o meu caminho,
Era breu e tu candeia que me dava luz,
Era apaixonada e tu corpo que me seduz,
Era sóbria e tu inundaste-me com o teu vinho.

Era casa transparente de ausência que tu habitaste,
Era barco à deriva que tu levaste para porto seguro,
Era amor, que aos poucos tu tornaste obscuro,
Era eu finalmente, e tu descartaste-te…

E voltou a ser negra a solidão da madrugada escura…

Miss Kitty

Sou Tua…


A pele implora…
O meu corpo pede…
Basta uma palavra…
E à tua vontade cede…
Amarras-me para não fugir…
Vendada atiças o desejo…
E a vontade de resistir…
Esvai-se com o toque e um beijo…
Provocas-me como gosto…
Percorres a minha pele nua…
Não controlo o meu gemido…
E sussurro ao ouvido “Sou tua”…
Paras tudo o que fazes…
Controlas o teu desejo…
E dizes baixinho “Amo-te”…
Seguido de um estrondoso beijo…
É a pele que se rende…
Numa alma que já se rendeu…
Neste corpo tão presente…
Que faz tudo para ser teu…

Miss Kitty

No fio da navalha…

Ando no fio da navalha, às vezes corto-me… lá calha, são cicatrizes que permanecem, de momentos que dificilmente se esquecem, mas vivo com intensidade, entrego-me ao prazer de verdade, de santa que não sou e pecadora sem maldade.

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Desejo…

Trago o desejo na ponta dos dedos, de desvendar lugares e segredos, reinos inexplorados e perdidos, onde os desejos são concedidos, de desenhar toques ansiados, intensos e desmesurados, como se na tua pele viajasse, o meu poiso nela encontrasse, serenando todos os meus medos. Continuar a ler “Desejo…”