Qualidades e Defeitos…

Quero-te…
Tal como és, com qualidades e defeitos, sem julgamentos nem críticas, o bom e o mau, o corpo e a alma.
Não queria este querer mas quero, porque há coisas que não têm explicação apenas se sentem…
Quero-te…
E quero que me queiras…
Quero que me queiras como nunca ninguém quis e me vejas como ninguém viu, como sou, pequena mas de alma grande, sem maquilhagem nem adornos, com curvas, sinais e rugas que começam a aparecer, mas totalmente eu, sem a máscara de viver e a defesa de sentir.
Quero que me queiras assim, frágil e forte, menina e mulher, sem reservas nem pudores, e com todas as minhas loucuras que oculto aos demais, esse meu lado mais sombrio do meu ser que faz parte de mim. Sei que não sou bonita nem tenho um corpo de modelo, mas é assim que sou, cheia de imperfeições e defeitos mas outras tantas qualidades, afinal, sou humana.
Quero que te percas em mim, que te seduza este meu ser tal como sou, que sintas desejo por mim, não só pelo aspecto mas por um todo, que te deseja também.
É assim que quero que me queiras…
Imperfeita mas eu…
E se não for assim, não te quero…

Miss Kitty

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Era…

Era negra a solidão da madrugada escura,
Era a sede e a fome, e tu foste a fruta.
Era desejo de morrer e tu cicuta,
Era o desafio e a desolação, e tu foste a cura.

Era perdida e tu foste o meu caminho,
Era breu e tu candeia que me dava luz,
Era apaixonada e tu corpo que me seduz,
Era sóbria e tu inundaste-me com o teu vinho.

Era casa transparente de ausência que tu habitaste,
Era barco à deriva que tu levaste para porto seguro,
Era amor, que aos poucos tu tornaste obscuro,
Era eu finalmente, e tu descartaste-te…

E voltou a ser negra a solidão da madrugada escura…

Miss Kitty

Bom Ano

ANO

Finda mais um ano
como um caso amoroso,
espalham-se pedaços,
acumulam-se cansaços,
num coração audacioso,
que foi levado ao engano.

Termina mais um ciclo,
de vida, que nos arrebata o tempo,
obstáculo inultrapassável,
de sinónimo inefável,
transforma-o em contratempo,
pois o tempo é ridículo.

Tantos anos superados,
noites de insónia,
de olhos escancarados,
pensamentos acelerados,
sem qualquer parcimónia,
nos desejos imaginados.

É tempo de renascer,
não se vive do passado,
largar todas as magoas,
deixar correr as águas,
consertar o outrora melindrado,
começar a viver, e fazer acontecer!

Tenham um Novo Ano cheio de desejos, e que todas as promessas se cumpram e passem a beijos!
Acima de tudo, sejam felizes s.f.f.!
Beijo enorme e um Bom Ano para todos

Miss Kitty

P.S. : Gosto de vocês!

Viagem prematura…

Era menina inocente, com sonhos na mente, e na sua inocência, pura e sem malícia, fazia magia e tornava o mundo uma delícia. Tudo era perfeito, a vida a seu jeito, de criança feliz, que fazia poesia dessa vida de fantasia e teve o que sempre quis.

A seu tempo cresceu, nesse mundo só seu, tornou-se mulher, de misteriosa sensualidade e a beleza da idade, uma poesia a interpretar, por quem a sabia amar. Gostava da vida, intensa e sentida, uma vida vivida, de fantasia e realidade, sentia-se realizada, era feliz de verdade, nesse sonho só seu, que desde menina cresceu.

Mas desse sonho acordou, tropeçou na realidade, de uma vida fria, e de sonhos vazia.

A menina inocente, da do sonho tão diferente, não fora poesia, cortaram-lhe as asas nem fizera magia. Na sua pureza, confrontada com a realidade, deixou-se levar com o imposto por não ter idade.

E nesse mundo onde cresceu, que em nada era o seu, tornou-se mulher que de poesia não tinha nada, não era amada, por todos rebaixada, ficou presa a uma vida, em nada sonhada, uma vida vazia, que de tanto se arrependia.

Tornou-se uma sombra, do que era de verdade, e o que mostrava não era a realidade, era o imposto, o que era suposto, o que queriam que fosse, ignorando o seu gosto. Nunca conseguiu ter a vida que queria, vestir a pele de viver, e fazer poesia, apenas existindo, num corpo tão belo, sensual e singelo, um corpo calado do prazer abandonado, de uma sensualidade que contraria a realidade, que ignorou o amor, por impossível ser, mas nunca perdeu a esperança de um dia o viver.

Mas não deixa de ser uma menina, mulher cheia de sonhos, que secretamente os escrevia em toda a sua poesia, na esperança que um dia se fizesse magia.

Miss Kitty

Sou Tua…


A pele implora…
O meu corpo pede…
Basta uma palavra…
E à tua vontade cede…
Amarras-me para não fugir…
Vendada atiças o desejo…
E a vontade de resistir…
Esvai-se com o toque e um beijo…
Provocas-me como gosto…
Percorres a minha pele nua…
Não controlo o meu gemido…
E sussurro ao ouvido “Sou tua”…
Paras tudo o que fazes…
Controlas o teu desejo…
E dizes baixinho “Amo-te”…
Seguido de um estrondoso beijo…
É a pele que se rende…
Numa alma que já se rendeu…
Neste corpo tão presente…
Que faz tudo para ser teu…

Miss Kitty

Dividido…

Estava dividido…
Deambulava inconstantemente numa linha invisível entre o politicamente correcto que lhe era imposto pelos que o rodeavam, e tudo o resto, que o fazia sentir vivo acelerando-lhe o sangue nas veias e o bater do coração.
Não era errado querer ser feliz, à sua maneira é certo, mas genuinamente feliz, então, refugiava-se nos seus momentos onde fechava o baú das recordações, não que não fossem importantes, eram experiências de vida, ensinamentos que lhe deram a conhecer o que queria e não queria da vida, mas necessitava desses momentos só seus, onde imaginava toda uma outra existência acabando por se perder no tempo e no espaço num estágio de meditação profunda.
Por momentos a vida era perfeita, não estava cercado de gente falsa e hipócrita que lhe dava palmadinhas nas costas quando precisava dele e quando estava bem na vida fazendo tudo o que podia para o bem dos outros, mas que quando estava mal e não tinha nada para oferecer nem sequer lhe falavam nem tão pouco perguntavam ou se ofereciam se precisasse de algo. Sentia-se descartável.
Nestes instantes só seus, vivia. Sentia borboletas na barriga fruto da sua necessidade constante de estar apaixonado, por si próprio, pela vida e por amor, sentindo intensamente cada toque, cada aroma e cada nota da música que o acompanhava nesta sua viagem. Era rebelde, não seguia modas nem estereótipos de uma sociedade que o aprisionava, mas sempre respeitador, e vivia.
O velho relógio da torre da igreja deu as badaladas da praxe a cada hora fazendo-o despertar da sua vida perfeita idealizada e de repente deixou de viver, simplesmente existia, com a esperança constante de um dia despertar e continuar a viver.

Miss Kitty